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Revista O Globo, 03.14.2010

"Imagem exterior" por Marcella Sobral

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A cidade de Nova York acaba de ficar mais brasileira, e o Brasil, mais cosmopolita, com a inauguração da 1500 Gallery, a primeira galeria de arte dos Estados Unidos exclusivamente dedicada à fotografia brasileira. Escondido no sexto andar de um prédio no charmoso bairro de West Chelsea, o lugar é um cartão-postal atual de nosso país e uma prova de que somos muito mais do que samba, futebol e cerveja.

— Estamos dando foco diferenciado à fotografia brasileira, que é único no mercado de Nova York — conta um dos sócios da galeria, Alexandre Bueno de Moraes, carioca que morou a maior parte da vida no exterior. — O conjunto que vendemos na galeria pinta uma boa imagem do Brasil.

Alex e seu sócio, o canadense Andrew S. Klug, pesquisaram a fundo até chegar aos 17 artistas representados pela galeria. No acervo, há trabalhos de medalhões como Bina Fonyat — morto em 1985 e cujo arquivo foi resgatado com a família —, de contemporâneos como Murilo Meirelles e Gustavo Pellizzon, fotógrafo da Revista O GLOBO, e de novos nomes que começam a chamar atenção, como o coletivo paulistano Garapa.

Além dos fotógrafos brasileiros, Alex e Andrew deram dupla cidadania a estrangeiros que dedicam o trabalho ao Brasil, como o dinamarquês Jens Stoltze, o americano Marc Van Lengen e o francês Vincent Rosenblatt, que tem registros únicos de bailes funks cariocas.

A vontade de criar a 1500 surgiu há quatro anos, mas começou a sair do papel no ano passado. Inicialmente, a galeria seria montada no Rio, mas veio a crise financeira, o câmbio não estava lá ajudando muito, e Alex e Andrew mudaram de ideia e resolveram abrir o negócio em Nova York, onde moram. Para fazer a diferença lá fora, os dois tinham algumas convicções. Uma delas era quanto à tiragem das fotografias. Quase todas as séries à venda têm tiragens que variam entre 25 e cem unidades. A escolha depende do artista.

— Acreditamos em tiragens mais altas, o que diminui o preço e torna a fotografia mais acessível — diz Alex. — Mas, se o fotógrafo sempre trabalhou com tiragens menores, não vou fazer a cabeça dele. O artista tem que estar confortável.

A escolha tem dado bons resultados. Inaugurada em 11 de fevereiro, com a exposição "Brazilian" (com as oito fotografias que ilustram esta reportagem), a 1500 Gallery vendeu, em apenas um mês de funcionamento, 14 fotografias — a maior parte do carioca Bruno Cals, que já trabalhou com moda e publicidade e vem se destacando por seu trabalho autoral com a série "Horizontes", de prédios registrados sob ângulos inusitados. Será uma individual dele a próxima exposição da galeria. Os preços das fotos à venda variam entre US$ 400 e US$ 8 mil.

Outra conclusão a que os sócios chegaram foi quanto à qualidade do produto que seria apresentado ao público. Há seis anos à frente da empresa de produção fotográfica e agência de fotógrafos 1500(Brasil), Alex já estava mais do que habituado às exigências do mercado exterior.

— Nossas impressões são feitas no Laumont, mesmo laboratório usado pelo MoMA, e as molduras seguem o padrão de museus e galerias de Nova York — conta ele.

Os rapazes já fazem planos para levar a galeria a outros lugares, como São Paulo, Miami e Paris. Até o fim do ano, a dupla garante que a 1500 chegará por aqui, provavelmente em Ipanema ou no Leblon.

— Pretendemos manter o mesmo formato da galeria de Nova York, mais escondidinho, sem ser no meio da rua, para deixar as pessoas realmente interessadas na fotografia mais à vontade — diz Alex. — As pessoas gostam de estar sozinhas na galeria, de manter essa coisa do segredo.