Bruno Cals > Texto do curador por Boris Kossoy (Português)
Horizons: A Journey in Time
Bruno Cals apresenta nesta exposição uma reflexão sobre o Espaço e o Tempo, uma reflexão instigante em torno de tempos indeterminados e civilizações possíveis, extintas (ou ainda não nascidas?), não necessariamente humanas. Em que medida nossas mentes reagem sobre o não explícito? Sobre paisagens vazias, sem evidências históricas?
Perguntas e questionamentos constituem o tema da exploração do fotógrafo. Por terrenos que embora iluminados, são aparentemente inertes. Para todos aqueles que buscam na evidência a razão de ser da fotografia.
Cals nos mostra, em grande parte, espaços, à primeira vista desabitados; sem vestígios da presença humana ou de alguma outra forma de vida; algumas exceções, entretanto, nos surpreendem pela apresentação de possíveis paisagens tecnológicas que poderiam indicar pistas de mundos avançados: estações espaciais, cidades artificiais?
Nossos repertórios individuais, herdados de nossos ancestrais mais remotos poderiam, talvez, nos trazerem pistas. Pistas a nos fazerem, por uma fração de segundo, lembrar, experimentar a sensação de algo já visto num dado momento de nossas vidas. Indícios que iluminariam caminhos mais além do meramente formal, da matéria que conforma a superfície dos lugares, a forma do visível, tal como as vemos nas representações. Através da fotografia assistimos "de fora" o fenômeno gerador, pois convivemos com as imagens que são, pela sua natureza, portadoras de realidades próprias, autônomas por excelência: em seus caminhos, em seus significados apropriados e, portanto, em suas verdades.
Nas imagens de Cals buscamos o ar, ouvimos o silêncio. Refletimos sobre distâncias infinitas e épocas imemoriais; para onde nos levam essas imagens, essas ideias? Caminhos ambíguos, certamente, que nos fazem refletir sobre outros tempos e espaços diluídos. Uma época sem fim, um lugar onde nada ocorreu, onde ninguém passou, nem a vida, nem a morte...Um não-lugar, sem história, sem memória.
É esse o percurso do fotógrafo que tem, na aparência, apenas o ponto de partida e na viagem individual de seus espectadores a experiência de conhecimentos e sensações reabilitadas. Um mistério que aguarda por caminhantes sensíveis a percorrer o que, à primeira vista, poderia ser algo desconhecido. É nessa aventura do ver – e do descobrir – proposta por Bruno Cals que percebemos que o alcance da fotografia não termina na superfície das imagens; ao contrário, seus horizontes nos inspiram a refletirmos sobre nossas viagens para dentro de nós mesmos.
Por Boris Kossoy // Curador